Cachaça Sanhaçu (Revista Gazeta Cutural)

Texto da Revista Gazeta Cutural

No engenho onde se fabrica a bebida, há replantio de árvores, agricultura orgânica e a presença do pássaro sanhaçu, que foi o inspirador do nome da marca. Um passeio imperdível, cada vez mais prestigiado em nossa cultura. Vale à pena conhecer. 

No segundo episódio da rota das cachaças desse mês, descobrimos em Chã Grande, no interior de Pernambuco, o engenho da Cachaça Sanhaçu. Vimos no trajeto do nosso passeio, replantio de árvores, a presença do pássaro Sanhaçu, que voltou ao seu habitat por causa da recuperação da mata local, embelezando ainda mais a propriedade. A prática da agricultura orgânica também nos chamou atenção. É possível visitar as instalações e participar do ritual da degustação, que está disponível para grupos de gastronomia, turismo, dentre outras áreas. O passeio com degustação só é viável para maiores de idade. Já os sem consumo do álcool, fica ao bel prazer da garotada.

O programa de visitas é configurado com foco no turismo rural e no agroturismo pedagógico, além de fazer com que o visitante conheça a vida no campo e a realidade do produtor rural.  “Escolhi o campo para morar, por perceber que aqui teria uma melhor qualidade de vida”. Declara Oto, um dos proprietários da marca Sanhaçu.

As visitas ao engenho, são guiadas com ritual de degustação de cachaça e outros derivados da cana-de-açúcar, a exemplo do mel de engenho, rapadura, açúcar mascavo e a gelatina de cachaça, uma iguaria de sabor interessante.

Fomos conduzidos pelo mestre alambiqueiro Oto. Além dele, seu irmão Max é o representante comercial da empresa, e Elk sua irmã, é também mestra alambiqueira da marca. Passeamos pela propriedade encantados com a beleza do lugar. Ele, engenheiro mecânico de formação, filho de pai militar, contou-nos a história do caminho percorrido pela família, até chegar à comercialização da Cachaça Sanhaçu.

Em 1992, seu pai ao aposentar-se, decidiu comprar um sítio para trabalhar na terra com agricultura orgânica. Diversos vegetais foram plantados. Quando Oto formou-se em engenharia, trabalhou em duas siderúrgicas. Logo cedo, viu que não era nisso que queria trabalhar.

Quando casou, ele decidiu morar no engenho. Plantavam e vendiam os vegetais, em feiras de produtos orgânicos do Recife. Mas perceberam a dificuldade com o manejo da cultura, porque os produtos são perecíveis e existia a realidade da perda desses alimentos. Além disso, a margem de lucro era pequena. A empresa é familiar. O produto orgânico proveniente da agricultura familiar, tem uma representação favorável dentro do mercado. “70% do que o brasileiro come no País, vem da agricultura familiar”. Afirma o empresário.

Após dez anos nesse exercício, começaram a pesquisar para conhecer o manejo e através do estudo, beneficiarem a produção. Foi quando surgiu a ideia da cachaça. Era preciso agora aprender o processo de fabricação. Oto Partiu para Minas Gerais para cursar escola do ramo. “Todo ano vou à Minas, para reciclar meus conhecimentos. Fazer cachaça é relativamente fácil, mas produzir uma cachaça boa, exige estudo. O mais difícil, é colocar sua marca no mercado”. Conclui. Em 2006, finalizaram a instalação do engenho e, em 2007, saiu a primeira safra.

Oto explica que cachaça é a denominação típica e exclusiva da aguardente de cana produzida no Brasil, com graduação alcoólica de 38 a 48% de volume volátil a 20°C, obtida da destilação do caldo de cana-de-açúcar fermentado, com características sensoriais peculiares, podendo ser ou não adicionada de açúcares em até 6 g/l.

A edição da revista Dinheiro Rural de outubro, cita em matéria de rota de cachaças brasileiras, a marca Sanhaçu. O empresário ainda explica que seu produto é produzido em alambiques de cobre e possui características especiais que a distinguem das demais bebidas, principalmente das cachaças industrializadas. O aroma e paladar da cachaça Sanhaçu, dependem de inúmeros cuidados que começam desde o plantio da cana.

A cor é outro aspecto importante das boas cachaças. Quando envelhecidas ou descansadas em tonéis de madeira, podem apresentar tons amarelados ou rosados. Já o aroma não deve ser agressivo ao olfato. Tem que ter cheiro agradável e seu odor não chegue a irritar os olhos. Devem apresentar aroma frutado e adocicado. Quanto ao paladar, não pode ter gosto de álcool, tem que ser suave.

Vale à pena conhecer o engenho e saber do processo de fabricação e suas etapas, afinal de contas, a cachaça é um produto cultural genuinamente brasileiro. Para conhecer o engenho basta procurar Oto, que é só simpatia e nos recebeu de braços abertos, para uma longa tarde de passeio rural e de descorbertas incríveis acerca da nossa cultura.

Serviço: Cachaça Sanhaçu – Chã Grande, a 85 KM do Recife e a 15 KM de Gravatá – Pernambuco.
Telefones: (81) 35371413 e 92517447.

Fonte: Gazeta Cutural

 


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